Login | |

Acacia dealbata

Árvore perene, de folhas compostas, verde-acinzentadas e flores reunidas em “bolinhas” amarelo-vivo.

Nome científicoAcacia dealbata Link.

Nomes vulgares: mimosa, acácia-dealbata, acácia-mimosa, bichaneiras

FamíliaFabaceae (Leguminosae)

Estatuto em Portugal: espécie invasora (listada no Decreto-Lei nº 92/2019, de 10 julho)

Nível de risco: 31 | Valor obtido de acordo com um protocolo adaptado do Australian Weed Risk Assessment (Pheloung et al. 1999), por Morais et al. (2017), segundo o qual valores acima de 13 significam que a espécie tem risco de ter comportamento invasor no território Português | Actualizado em 30/09/2017.

Sinonímia: Acacia decurrens var. dealbata (Link) Muell., A. decurrens Willd. var. mollis Lindley, A. derwentii Siebert & Voss, A. puberula Dehnh., Racosperma dealbatum (Link) Pedley, Racosperma dealbatum Pedley

Data de atualização: 27/06/2020

Ajude-nos a mapear esta espécie na nossa plataforma de ciência cidadã.

 

Avistamentos actuais da espécie: 
PDF para imprimir: 

Como reconhecer

Árvore de até 15 m, com ritidoma liso, acinzentado.

Folhas: perenes, verde-acinzentadas, recompostas, com 10-26 pares de pínulas, por sua vez com 20-50 pares de folíolos, estes com 2-5 x 0,4-0,7 mm; ráquis central da folha com glândulas apenas nas zonas de inserção das pínulas.

Flores: amarelo-vivo reunidas em capítulos de 5-6 mm de diâmetro, formando grandes panículas.

Frutos: vagens castanho-avermelhadas, comprimidaspruinosas, ± contraídas entre as sementes.

Floração: janeiro a abril.

 

Espécies semelhantes

Acacia mearnsii (acácia-negra) é semelhante mas tem glândulas distribuídas ao acaso ao longo do ráquis, folhas verdes mais escuras, floração mais pálida e mais tardia, e vagens contraídas entre as sementes. Acacia decurrens (J.C. Wendl.) Willd. (acácia)  também é semelhante mas tem raminhos alados, quase glabros e os folíolos estão muito separados entre si (distância maior que a sua largura), glabros.

Arraste o cursor na imagem com o rato

esq – A. mearnsii                dir – A. dealbata

Há várias espécies de acácias em Portugal que apresentam características muito semelhantes. Se tem dificuldade em distingui-las consulte a chave simplificada que preparámos para identificar as espécies do género.

Características que facilitam a invasão

Reproduz-se vegetativamente formando vigorosos rebentos de touça ou raiz após o corte.

Também se reproduz por via seminal produzindo muitas sementes, que se acumulam em bancos de sementes muito numerosos, permanecendo viáveis no solo durante muitos anos. As sementes são dispersas por animais, sobretudo por pássaros e formigas, e, por vezes, por ventos fortes e por acção humana (por exemplo aquando de transporte de solos ou agarradas aos sapatos e outros materiais) o que leva à formação de focos de invasão dispersos e/ou afastados das áreas invadidas. A maioria das sementes acumulam-se debaixo das árvores-mãe, onde for

Área de distribuição nativa

Sudeste da Austrália (Nova Gales do Sul, Vitória) e Tasmânia.

 

Distribuição em Portugal

Portugal continental (todas as províncias), arquipélago da Madeira (ilha da Madeira).

Para verificar localizações mais detalhadas desta espécie, verifique o mapa interactivo online. Este mapa ainda está incompleto – precisamos da sua ajuda! Contribua submetendo registos de localização da espécie onde a conhecer.

 

 

Áreas geográficas onde há registo da presença de Acacia dealbata

 

Outros locais onde a espécie é invasora

Europa (França, Espanha, Itália, Turquia), África do Sul, Nova Zelândia, oeste dos EUA (Califórnia), Ásia (Índia, Sri-Lanka), América do Sul (Argentina, Chile), Madagáscar.

 

Razão da introdução

Para fins ornamentais. Foi cultivada para fixação de solos e como espécie florestal.

 

Ambientes preferenciais de invasão

Terrenos frescos dos vales, zonas montanhosas e margens de cursos de água e de vias de comunicação. Invade principalmente depois de incêndios.

É considerada uma das piores espécies invasoras em ecossistemas terrestres em Portugal continental.

Impactes nos ecossistemas

Forma povoamentos muito densos impedindo o desenvolvimento da vegetação nativa, diminuindo o fluxo das linhas de água e agravando alguns problemas de erosão.

Tem efeitos alelopáticos, impedindo o desenvolvimento de outras espécies.

Produz muita folhada rica em azoto promovendo a alteração do solo, o que poderá ter efeitos negativos no desenvolvimento e sobrevivência das espécies nativas e, simultaneamente, favorecer o crescimento de A. dealbata e/ou outras espécies invasoras.

 

Impactes económicos

Diminuição da produtividade.

Custos elevados na aplicação de medidas de controlo.

 

Outros impactes

Alergias.

 

Habitats Rede Natura 2000 mais sujeitos a impactes

– Florestas aluviais de amieiro (Alnus glutinosa) (91E0);
– Florestas mistas de carvalho-alvarinho (Quercus robur), ulmeiro (Ulmus minor) e freixo (Fraxinus angustifolia) das margens dos grandes rios (91F0);
– Florestas-galerias de salgueiro-branco (Salix alba) e choupo-branco (Populus alba) (92A0);
– Florestas-galerias junto aos cursos de água intermitentes mediterrânicos com rododendro (Rhododendron ponticum), salgueiros (Salix) e outras espécies (92B0);
– Cursos de água de margens vasosas com vegetação da Chenopodium rubri p. p. e da Bidention p. p. (3270);
– Matagais arborescentes de loureiro (Laurus nobilis) (5230);
– Matos termomediterrânicos pré-desérticos (5330);
– Carvalhais galaico-portugueses de carvalho-alvarinho (Quercus robur) e carvalho-negral (Quercus pyrenaica) (9230);
– Carvalhais ibéricos de carvalho-cerquinho (Quercus faginea) e carvalho-da-Argélia (Quercus canariensis) (9240);
– Florestas de sobreiro (Quercus suber) (9330).

 

O controlo de uma espécie invasora exige uma gestão bem planeada, que inclua a determinação da área invadida, identificação das causas da invasão, avaliação dos impactes, definição das prioridades de intervenção, seleção das metodologias de controlo adequadas e sua aplicação. Posteriormente, será fundamental a monitorização da eficácia das metodologias e da recuperação da área intervencionada, de forma a realizar, sempre que necessário, o controlo de seguimento.

As metodologias de controlo usadas em Acacia dealbata incluem:

 

Controlo físico

Arranque manual: metodologia preferencial para plântulas e plantas jovens. Em substratos mais compactados, o arranque deve ser realizado na época das chuvas de forma a facilitar a remoção do sistema radicular. Deve garantir-se que não ficam raízes de maiores dimensões no solo.

Corte com motorroçadora: metodologia preferencial para plântulas resultantes de germinação que tenham ainda dimensões muito pequenas. Deve aplicar-se apenas em dias quentes desde que respeitando as condições de segurança.

Descasque: metodologia preferencial para plantas