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Vamos mapear a Trichi!

Ajude-nos a monitorizar o agente de controlo biológico da acácia-de-espigas

A Trichi já anda por aí - ajude-nos a encontrá-la!

Encontrou acácia-de-espigas? Procure galhas, tire fotografias e registe a observação. Cada registo ajuda-nos a perceber onde a Trichi já chegou e que efeito está a ter.

A acácia-de-espigas (Acacia longifolia) é uma das plantas invasoras com maiores impactes nos ecossistemas costeiros em Portugal continental. Produz muitas sementes, que se acumulam no solo durante vários anos e facilitam a sua expansão e reinvasão de áreas já intervencionadas.

Para ajudar a reduzir a produção de sementes desta planta invasora, foi introduzido em Portugal um agente de controlo natural: Trichilogaster acaciaelongifoliae, um pequeno inseto australiano formador de galhas. Para facilitar, chamamos-lhe Trichi. Este inseto coloca os ovos nas pequenas gemas que originariam flores (gemas florais) e ramos (gemas vegetativas) da acácia-de-espigas, levando à formação de galhas nos locais onde se desenvolveriam flores ou novos ramos. Menos flores significa menos vagens, menos sementes e, a longo prazo, menor capacidade da acácia-de-espigas se espalhar e invadir.

A libertação deste agente foi autorizada em 2015 (depois de 12 anos de testes em ambiente confinado e análises de riscos) e, desde então, a sua presença tem vindo a ser acompanhada em Portugal. Após as primeiras libertações, o agente conseguiu estabelecer-se e dispersar-se naturalmente, estando hoje presente em muitas zonas de Norte a Sul do território continental. Clique aqui para saber mais.

Precisamos da sua ajuda

O agente de controlo biológico está agora espalhado por uma área muito grande. Esta é uma excelente notícia, mas também traz um grande desafio: a nossa equipa* não consegue monitorizar sozinha todos os locais onde a acácia-de-espigas ocorre e onde podem existir galhas de Trichi. 

É aqui que a ciência-cidadã é essencial. Com a ajuda de cidadãos, técnicos, equipas de gestão, municípios, associações, escolas e todos os que visitam áreas invadidas por acácia-de-espigas, conseguimos recolher muito mais informação sobre: i) onde o agente já está presente ou onde continua ausente; ii) quais os efeitos que o agente está a ter na acácia-de-espigas; iii) em que zonas há muitas ou poucas galhas; iv) se há galhas ainda intactas ou já furadas; v) como está a evoluir a dispersão do agente ao longo do tempo e do espaço.

Cada registo conta. Mesmo uma observação simples, feita durante um passeio, uma ação de voluntariado ou uma visita técnica, pode ajudar-nos a perceber melhor a evolução deste processo de controlo natural em Portugal.

O que deve procurar?

Procure acácia-de-espigas e se as encontrar procure galhas de Trichi nos seus ramos (como nas fotos). As galhas são estruturas arredondadas ou irregulares, geralmente agrupadas nos ramos, que se formam no lugar das flores ou de novos rebentos.

Podem estar: i) verdes ou acastanhadas; ii) inteiras, sem furos visíveis; iii) furadas, quando os insetos adultos já saíram; iv) isoladas ou em grande número no mesmo ramo ou na mesma árvore.

Se encontrar acácias-de-espigas, com ou sem galhas, fotografe-as e registe a localização.

Como participar?

Pode participar de duas formas principais:

1. Registar acácias-de-espigas e galhas na App Epicollect5

Este é o método preferencial quando encontra acácia-de-espigas, sobretudo se encontrar galhas.

Para participar:

  1. Instale a aplicação Epicollect5 no telemóvel. Está disponível para Android e iOS.
  2. Abra a aplicação e clique em “+Adicionar projeto/ + Add Project”.
  3. Escreva “Registo de Trichilogaster acaciaelongifoliae. Basta escrever a parte inicial do nome e em princípio encontra logo o projeto.
  4. Selecione o projeto e clique no seu nome.

Estes 4 passos não voltam a ser necessários. A partir daqui, quando observar uma acácia-de-espigas (com ou sem galhas), abra a o projeto "Registo de Trichilogaster acaciaelongifoliae" na App e siga os passos seguintes:

  1. Clique em “+ Adicionar entrada/ + Add entry”, no canto superior direito.
  2. Preencha o formulário, avançando sempre com “Próximo/ Next >”.
  3. Sempre que possível, adicione fotografias das galhas e da planta.
  4. No campo das notas, pode indicar informação útil, por exemplo, sobre a área que está a observar.
  5. No final, clique em “Salvar entrada/ Save entry”.
  6. Depois clique em “Enviar/ Upload Now”.
  7. Confirme que fez upload dos dados e das fotografias, clicando em “Enviar dados/ Upload data” e também em “Enviar fotos/ Upload photos”.

Com excepção da instalação da App, da adição inicial do projeto e do upload final dos dados e fotografias, os registos podem ser feitos sem internet. Mas é muito IMPORTANTE fazer o upload quando voltar a ter ligação, caso contrário os dados não chegam até nós.

2. Registar observações no iNaturalist / BioDiversity4All

Também pode registar a observação através da App iNaturalist/ BioDiversity4All, mas nesse caso teremos menos informação, pelo que sendo possível pedimos que use o Epicollect5.

Se usar o iNaturalist/BioDiversity4All, junte-se ao projeto "Trichilogaster acaciaelongifoliae in Iberian Peninsula" e fotografe bem a planta onde encontrou as galhas, detalhes das galhas, e, se possível, a zona envolvente, porque pode ser útil para confirmar o habitat.

 

A sua observação faz a diferença!

Monitorizar o controlo natural da acácia-de-espigas em todo o território continental é uma tarefa impossível sem colaboração. Com a sua ajuda, conseguimos acompanhar melhor a dispersão de Trichilogaster acaciaelongifoliae, avaliar o seu efeito ao longo do tempo e melhorar o conhecimento sobre esta ferramenta de gestão de plantas invasoras em Portugal.

Se encontrar galhas em acácia-de-espigas, registe. Se a voltar a ver passados poucos kms, registe outra vez:) Cada observação conta! Com poucos minutos no campo, pode ajudar-nos a acompanhar um dos exemplos mais inovadores de controlo biológico de plantas invasoras na Europa.

 

A equipa integra investigadores do CFE - Centre for Functional Ecology – Science for People & the Planet do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra e do CERNAS - Research Centre for Natural Resources, Environment and Society da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra.